Perdi meu pênis de uma hora pra outra. Foi numa noite de Sábado quando estava me preparando para sair que percebi que alguma coisa não estava bem. Olhei-me na frente do espelho e lá estava ele calmo, atento, parado se mais fortes pretensões. Confortava-me saber que estava li e que não havia falhado nunca. Pensei em algumas peripécias. Saudade. Mas ao olhar pra baixo percebi que havia desaparecido. Olhei de novo pro espelho, o vi, olhei pra baixo, não vi mais nada e de novo pro espelho, o vi, e assim fui movimentando a cabeça pra cima e pra baixo para entender o que estava acontecendo. Ilusão. Só poderia ser. Olhei mais duas vezes pra baixo e pro espelho e entrei em pânico. Virei de lado, em um pulo só, e percebi que minha barriga havia virado uma barreira entre nós. Um muro das lamentações, uma montanha de guloseimas depositadas entre dois amigos de carne e osso, uma fronteira que dividia o norte e o sul. Como pude não perceber isso antes? Agora só com presença do espelho e, com excelentes, excelentes, excelentes condições de temperatura e pressão é que poderia encontrá-lo. Tem coisa pior do que perde o pênis para uma barriga? Uma barriga imoral, provocadora de desunião entre amigos inseparáveis. Talvez tenha, mas foi assim, somente assim, que cheguei à conclusão que daquele dia em diante eu deveria começar a emagrecer.