Domingo, Agosto 10, 2008

Um acidente

Um homem e uma máquina a mais de cem por hora e algumas doses de cerveja e cana se encontram no cruzamento da morte. O povo se reúne e diz que toda semana é a mesma coisa. Uma moto acabada. Um pedaço de poste destruído. Um homem com um fêmur quebrado. O dedo indicador da mão direita partido. O povo correndo de todos os lados. Corri também. O acidente reuniu meu bairro de criança. Vi Carla, um pouco mais gorda e lembrei que estou gordo também. Rimos um pro outro. Oi! Oi! Tudo bem? Vi Toinha, Maria e Izabel. Velhas. Nossa, meu Deus do céu. O tempo passou pra mim. O mototaxista não me reconheceu ou não me viu. Um acidente. Não seria correto agradecer, mas posso dizer que estou contente.

4 comentários:

Cíntia Sá disse...

Meu irmão é um dos homens mais inteligentes que conheço. Qualquer coisa que aconteça ao nosso redor ele faz um texto; expressa seus sentimentos.Benicio, tembém vi Carla, Toinha, Maria e Izabel.Beijos!

Dária disse...

eh cintia, seu irmão tambem é um dos mais inteligentes que conheço... adimirável isso!

bom texto. meio assustador ficar feliz com desgraças alheias, mas é algo natural: tragédias sempre reunem gente.

Júlio César disse...

Êi Benício, tu esquecesse de citar o monte de trombadinha q tentam saquear o q resta de aproveitável da desgraça dos outros...

Valeu.

Kirs disse...

Sabe Júnior, se expressar significa ter resposabilidade social e amar ao próximo pq quem caga e ama pra humanidade não está nem aí, será que foi por isso que parei de escrever ainda lá pelos meus 20 anos, espero não ter perdido a fé na humanidade assim, ao ponto de ignora-la, parabéns por ter passado dos 30 e ainda nos amar. Também te amo.

Sobre o escritor

Benicio de Sá
Natal, Rio Grande do Norte, Brazil
Mestrando em Direito pela UFRN na área de biocombustíveis.
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