Quinta-feira, Janeiro 25, 2007

Ei Prostituta

Ei prostituta!! Prostituta! Quanto custa uma com você? Quanto custa uma hora de orgia dentro desse teu corpo que fede, mas que me atrai! Só 10 reais meu camarada, e mais dois reais da camisinha, caso contrário não tem vez para moleque safado igual a você. Mas prostituta! Prostituta é a tua mãe, filha da puta. Espera aí minha amiga, você não acha que está confundindo as mães não?! Calaram-se. Olharam-se e de repente ela disse: Sou profissional do sexo. Trabalho honesto. Te dou prazer e quase não sinto nada. Tem que ser muito homem para me fazer sentir mulher. Coisa que já não sinto faz tempo. Além do mais me pagam pouco por trabalho tão difícil. Competição grande só nessa rua aqui. Não quero só prazer não, mulher do sexo. Quero muito mais e talvez você não esteja preparado pro meu instinto. Quero usar o teu corpo para experiências libidinosas. Mas não somente isso, mulher do sexo. Então me diz o que é que esse intelectualzinho de merda ta querendo fazer comigo? Quero te possuir e pagar barato. Sou estudante minha amiga. Uso tua camisinha fajuta e ainda quero um desconto. Só isso seu perdido? É fácil! Não, mulher do sexo. Quero na verdade alguma pessoa que possa estar comigo. Que tu me toques ao menos durante as horas que passarei contigo. Também sou tão perdido quanto tu. Tu prostituta das ruas de Natal, do bairro rico de Ponta Negra e eu filho da puta como dito por ti. Sou prostituto de alguns sentimentos da vida. Na verdade mulher do sexo. Eu quero que você somente converse comigo esta noite toda. Se eu dormir, por favor, me cubra com teu corpo para que eu nunca sinta frio nesse pequeno espaço de tempo que passarei ao teu lado.

Terça-feira, Janeiro 23, 2007

Versos Eruditos

Este texto é do meu amigo Manuel Silva, um dos maiores cordelistas Papa Jerimum que este Estado já produziu. Manuel vende suas poesias nas alturas da passarela do Via-Direta, aqui em Natal. Poesia de primeira que você não pode perder.

“Do segredo recondito o meu verso vem surgindo. Do meu encéfalo misterioso ele vem se evoluindo. Vem do raciocínio altamente elevado... Vem do Esconderijo secreto onde homem algum. Nem com microscópio há de encontrar um, microcospicamente procurando cuidado. Vem como a estalactite pingando lentamente. Vem da célula, vem da molécula, vem do meu subconsciente. Vem da hemoglobina que corre nos meus dedos. Vem controlado pelo cerebelo. Vem das engrenagens misteriosas de todos os segredos... Vem das minhas neuronas, vem do meu profundo sono. Vem das propriedades misteriosas do carbono. Vem das fantasias quiméricas vem das minhas madrugadas. Vem da minha ida, vem do meu regresso. Vem do meu cérebro este grandiosíssimo universo. Vem de todas minhas microscópicas células acordadas. Vem da meia noite, vem da travessia. Vem dos lagos encantados onde a poesia. Se banha nos lagos dourados desses horizontes. Vem do estado risonho onde não existe mágoa. Vem do zero grau centígrado ponto de fusão em que a água. Se congela na travessia para chegar às fontes. Vem das dunas, das areias amarelas. Vem do Marco Colonial, vem das caravelas, que um dia ancoraram bem ali. Vem da caravana marítima de Cabral. Que saiu um dia do rio Tejo em Portugal. Para chegar nesta terra, a mira foi a Serra do Cabugi. Foi vista de longe a nossa terra. Descortinaram no horizonte aquela serra. Fincaram no Marco nesta terra colossal. Aqui encontraram das águas as fontes belas. No manancial abasteceram as caravelas. Depois partiram lá para o monte Pascal...” Manuel Silva.

Homenagem de Edinaldo Benicio.

Sobre o escritor

Benicio de Sá
Natal, Rio Grande do Norte, Brazil
Mestrando em Direito pela UFRN na área de biocombustíveis.
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