Sábado, Novembro 18, 2006

Natal acordou assutada

Às oito horas da manhã desse sábado, um grupo de mais ou menos trezentas pessoas fez um paredão humano em frente ao Praia Shopping, interditando todos os dois lados da Avenida Engenheiro Roberto Freire. Tudo parou e a polícia foi imediatamente solicitada para dar solução ao problema. Mas não era um grupo de políticos articulados que se encontravam fazendo a barricada humana na frente de uns dos mais famosos shoppings da Cidade do Sol, nem mesmo membros da Ongs que defendem a praia de Ponta Negra, mas trezentas pessoas formadas nada menos que por todos os flanelinhas, todas as profissionais do sexo que trabalhavam naquela região. Disseram que tinham uma reinvidicação justa. Os flanelinhas levantavam seus rodos e gritavam por melhoria de vida. Não agüentavam mais a maquiagem que era feita nas ruas e nos canteiros daquele bairro. Diziam serem discriminados e queriam cobrar pedágio dos carros que parassem nos semáforas da cidade. Já estavam cansados das promessas dos políticos e por isso iriam tomar esta medida. As profissionais do sexo pediam em seus cartazes que Natal criasse uma rua específica para a prostituição, aos moldes de Amesterdã. Já que a cidade do Natal gostava tanto dos gringos, que dava tanta liberdade para que fizessem de tudo, estaria na hora de acatar essa idéia maravilhosa. Falou uma delas, Edilene Erivalda, 29 (nome fictício), que esta iniciativa deveria ser feita de imediato, por elas, natalenses, pois poderia ser que um gringo, provavelmente um italiano, conseguisse a autorização da prefeitura para levar esta idéia a diante. Os natalenses deveriam parar de ficar vendendo ginga com tapioca na praia, enquanto, gringos e pessoas de outros estados do Brasil vinham fazer as mesmas coisas, mas cobrando um preço absurdo. Também pediam por um posto de saúde que distribuísse camisinhas vinte e quatro horas nas redondezas. A manifestação havia adquirido volume. Agora os gringos que não entendiam de nada, paravam suas caminhadas no calçadão de Ponta Negra, tiravam fotos, ficavam olhando, e perguntavam se já era o início do Carnatal. Um flanelinha chegou a dizer que queria oportunidade para abrir uma empresa de lava-carros ali por perto e que já tinha todas as pessoas que iriam trabalhar para ele. Disse categoricamente que gostaria de uma oportunidade para viver melhor, pois tinha uma família com cinco crianças para alimentar. Um travesti afirmou que a articulação estava formada e que se a prefeitura e o governo do Estado não atendessem as condições reinvidicadas, morreriam de fome, mas fariam greve de sexo e, consequentemente, a Cidade do Sol não receberia mais enorme levas de estrangeiros amantes do turismo sexual. Todos perderiam. Hotéis, restaurantes, taxistas, artesanato. Um desfalque para a economia local. Às onze horas a manifestação acabou. Estava lançada a proposta de ter uma cidade em que todos deveriam ser vistos como partes integrantes de um sistema, de um sistema que torna os mais necessitados invisíveis perante uma sociedade dominante, hipócrita que só pensa em carnaval fora de época, praia, mar e, sobretudo, sombra e água fresca. Edinaldo Benicio, Terra do Sol, 12/11/2006.

Sexta-feira, Novembro 17, 2006

Um dia desses

Em 2002, andando por Ponta Negra. Tive a oportunidade de observar como a praia estava suja. Latas, papel, palito de churrasquinho, plástico, camisinha, de tudo mesmo. Foi então que escolhi um catador de lixo que limpava a praia para ser o meu alvo de perguntas, pois quem me conhece já sabe que na conversa estou quase igual minha mãe, tia Ângela e minha prima Kris, juntas. E aí camarada, tudo massa? Tudo. Muito quente este sol, não é verdade? É. Rapaz que praia suja! Nunca vi coisa igual! Que pessoas mal-educadas. O catador de lixo da prefeitura só olhava e dizia “é”. Aí tive uma idéia maravilhosa e falei: Seria ótimo que a gente fizesse uma campanha para que as pessoas não sujassem mais. A prefeitura teria que colocar cestos de lixo em todos os cantos da praia, tudo limpo e lindo. Então o catador, olhou para mim e disse: Deus me livre! Tem que ficar sujo mesmo. Quanto mais sujo melhor. Ainda bem que tá cheio pessoas mal-educadas nessa cidade. Mas por que, rapaz? Perguntei abismado. Meu senhor! Não, senhor não. Tenho somente 25 anos. Riu. Se as pessoas não sujarem eu perco o emprego e tenho família para criar. Foi difícil conseguir isso aqui. Fiquei parado abestalhando. É verdade! Você tem razão. Joguei o côco que estava tomando no chão e fui para casa pensando na importância do lixo.

Nunca mais parei de sujar Ponta Negra. Como é triste a realidade desse país.

Edinaldo Benicio Terra do Sol, 13/11/2006.

Consumismo... Algo muito mais complexo do que se pode imaginar

Hoje acordei naqueles dias em que você só pensa em comprar... não importa o que, nem para quê, o que importa é que você “precisa” gastar dinheiro com alguma coisa. Como se aquele gasto fosse suprir alguma necessidade imediata que nem você mesmo sabe qual é. Nada consegue prender sua atenção.. trabalho, estudo, jornal, ... nada!! O que você mais deseja é parar na primeira loja que encontrar pela frente e desembolsar uma quantia generosa. Sem dinheiro?? Desde quando isso é um problema tão grave que um ingênuo e singelo objeto retangular não resolva??? Ora, você tem crédito!! Por que não abusar dele? Pois bem. “Mesmo com toda essa vontade não vou gastar”. Esta era minha mais forte idéia. A primeira tentativa de conter o meu impulso. Fiz de tudo. Peguei aquele objeto magnético, que te faz sentir livre e disse para mim mesmo que essa febre de consumo, que de vez enquanto toma esta pessoa que vos fala, não seria mais uma vez responsável por consumir minhas últimas migalhas de racionalidade. “Pronto. Estou livre dessa vontade de comprar alguma coisa”. Disse em voz alta. O celular toca e já reconheço quem é só pelo toque polifônico do celular de última geração que comprei semana passada. “Alô! Oi amor, bom dia!” Era minha namorada. “Ei, vamos ao shopping? Estou pensando em fazer umas comprinhas”. Pronto. Era só o que eu queria. “Vamos! Estava até pensando em ver algumas coisas também”. “tá vendo só? Eu estava aqui quieto... já tinha decidido que não ira gastar nenhum tostão e agora esse telefonema... serei forçado a gastar.. tô fumado!”, pensei. Parece até que existem pessoas que possuem a habilidade de escutar nossos mais profundos e escondidos pensamentos.

Parece até que é de propósito quando alguém se aproxima e te convida a fazer algo que há alguns minutos era razão de um grande duelo entre você e sua consciência.

Queila Targino Edinaldo Benicio de Sá. Noiva do Sol, 16/11/2006.

Breu Branco

Mais de meia-noite. Quinze garrafas de cerveja já tomadas e algumas doses de cana. Petiscos. O bar era de beira de estrada. Mal iluminado. Algumas outras pessoas ao redor. Tocava um brega que saia de um fusca vermelho. Três amigos consumiam alegremente as cervejas. Falaram de tudo. Mulheres, Paysandu e Remo, a importância da cerveja. Alguém exagerou em uma história, outro disse o que não sabia, riram e seguiram bebendo. Garçom! Mais uma! Essa é para meu filho que completa três meses hoje. É homem igual ao pai! Cerveja aberta, os olhos vidrados. Ah, essa veio gelada. Um copo, dois, três. Estou bêbado. Riram. Ei! pendura essa. Amanhã eu pago. Está tarde. A gente te leva. Mas vocês nem vieram de carro! Vamos a pé, sua casa é bem aí perto. Abraçaram-se. Caminharam e sumiram no escuro da estrada de barro. Silêncio por alguns instantes. O que é isso? Respiração ofegante. Hoje é o seu dia. Espera. E meu filho?! Vocês são meus amigos, pôrra! Calado! Calado! Mas... minha família, pôrra, por favor! Por que isso?! Disparos. Eco por toda parte. Cheiro de pólvora. Depois um silêncio. Um silêncio que se espalhou em um breu completamente branco. Terra do Sol, 09/11/2006

Lá no Brejo

Reunidos no interior do sertão paraibano, na casa de minha avó, pela primeira vez tive o prazer de ver os parentes que meu pai tanto falava. Tia Valentina querendo ler nossas mãos, uma irmã de minha avó que eu nunca tinha visto antes. Pudera! Eu também não andava pelas bandas de Brejo dos Santos como deveria. Uma outra irmã, um irmão de vovô, um primo - segundo, uma prima casada com outro primo de meu pai, uma salada de família com todos os graus possíveis. Tio Valdir passou horas cheirando limão. Acho que assim ele parava as lágrimas e estancava um pouco o seu soluço. Papai, não disse uma palavra se quer e não lembro de ter visto uma gota cair de seus olhos. Minhas irmãs choravam com outras primas e, de vez em quando, retocavam a maquiagem num dos quartos da casa. Foi um dia triste. Era mais quem chegava perguntando pela finada. Um bêbado que quis participar acabou sendo aquietado pela parentada. Ela tinha o rosto pálido e os lábios bem finos. Houve horas que o silêncio imperou naquela casa de canto onde por tantos anos Rita aparecia para receber os amigos. Vovô, que sem dúvidas vou ficar parecido com ele quando envelhecer é consequentemente, meu pai trinta anos mais velho. As horas que passei observando, me levaram a crer que aquele seu movimento de barata tonta era a forma mais rápida de ver o tempo passar. Às 16hs ela foi levada pelos homens da casa. Lá no Brejo o cemitério fica bem em frente as serras e, uma paz podia ser sentida mesmo em um momento de ansiedade como aquele. Abre-se o caixão. Vovô chora. Todos choram. O coveiro diz que ainda pode passar um bom tempo esperando. – Agora é a sua vez de colocar terra no caixão de sua avó, disse um de meus primos-segundos. Sinistro! Hora de ir embora, visitar outros parentes que ali também tinham sido sepultados e perceber que eu tinha passado muito tempo longe da velha Rita. Natal – RN, 25/01/2006.

Coisas da vida

- Vida, você alguma vez mascou chiclete debaixo do chuveiro? Assim, tomando banho. - Não. Não sei. Não me lembro. Mas por que você está me perguntando isso? - É que desde criança eu tenho essa mania. Você também sabia que o mascar chiclete depois do almoço é muito bom para a digestão? - É? Por quê? - Ora, porque você saliva bastante e te ajuda na digestão. - Vida, você ta tão inteligente! Lógico que eu sei. Só fico pensando nos dentes das crianças. Você sabia que chiclete é muito importante para as cáries? - Você é um chato mesmo!! Vou tomar meu banho. - Ei! Mas não se esquece de escovar os dentes, tá ? Edinaldo Benicio Noiva do Sol, 05/04/2006.

Desumbigada

Logo que se descobriu que a primeira mulher a ficar sem umbigo, uma australiana de 26 anos que estava sendo entrevistada na televisão, os executivos das fábricas de champagne e vinhos franceses foras os primeiros a ficarem atordoados. Se a moda pegasse, logo, logo as mulheres do mundo inteiro imitariam esta desumbigada e as fábricas perderiam parte de um mercado promissor das vendas de champagne e vinho. Para alguns a lógica não veio de imediato. Organizou-se uma reunião com as cooperativas dos vinhos e champagnes da França para solucionarem o problema. – Bem, senhores. Falou o presidente da cooperativa para um grupo de 15 homens das mais importantes vinícolas. – Estamos reunidos aqui para discutirmos um tema de extrema relevância para nossas empresas. Como todos já sabem, uma mulher que agora a intitulamos de, desumbigada, apareceu nos canais de televisão apresentando esta mais nova invenção da estética humana. Esta insana resolveu fechar seu umbigo com alguma outra parte de seu corpo e se diz estar extremamente feliz. Disse a todos que teve esta idéia há algum tempo quando descobriu um affair de seu marido com uma de suas amigas. Não sabemos bem os detalhes, mas os boatos contam que a desumbigada, permitam-me chamá-la deste modo, pois, não vejo nenhuma outra titulação mais adequada para esta criatura. Como eu estava dizendo, esta “coisa” encontrou uma carta da amante de seu esposo em que esta descrevia todas as fantasias sexuais que sonhava ter com o umbigo. A carta relatava os chantilis, cerejas, cervejas, línguas e, principalmente, nossos vinhos usados na orgia dos amantes. - Desculpem-me, não quero especular o que se poderia fazer com uma garrafa de vinho e, principalmente, com um umbigo em um ventre em perfeitas condições de apreciação. Todos riam naquele instante. Pareciam ser experientes no assunto. Contudo, estou aqui para dizer que se a moda pegar perderemos 30 por cento de nossas vendas no mundo. Com as pesquisas que fizemos contatou-se que exatamente 30 por cento dos champagnes e vinhos comprados no mundo são exatamente para serem usados durante as imaginativas noites de amor. Os dados estatísticos mostram também que a maioria dos compradores é formada por homens que usam os vinhos e champagnes para seduzir suas mulheres e, logicamente, para fazer o que sempre fazemos com os umbigos de nossas esposas e amantes. Mais uma vez todos riram. Se esta parte erótica do corpo humano desaparecer, poderemos até mesmo falir devido à concorrência com as vinícolas do mundo. Se os homens não puderem mais usar o umbigo de suas mulheres como cálice para nossos vinhos, significa que, mais cedo ou mais tarde, estaremos perdendo um mercado cada vez mais promissor de uma parcela de iniciantes nos prazeres sexuais. Todos pararam por um instante e só então entenderam a gravidade do problema. Um outro executivo que estava ao lado do gerente da cooperativa também acrescentou que as empresas de lingerie estavam profundamente atordoadas com as notícias da desumbigada, pois, se uma parte tão erótica desaparecesse de vez, o caos econômico poderia ocorrer em suas empresas. Os mais pessimistas sugeriram a redução do número de funcionários caso ficasse comum perder o umbigo. De imediato tiveram o conhecimento que todos os sexshops estavam se organizando para contestar tal absurdo, por meio de abaixo-assinado lançado na internet. Os estilistas italianos prepararam um desfile em que todas as modelos apareciam com seus umbigos de fora para mostrarem a importância dessa parte do corpo no mundo fashion. Não adiantou. Mais outra mulher, agora no norte da Itália anunciava que estava retirando seu umbigo por achar que somente assim poderia mostrar sua independência sexual. Inúmeros foram os casos que apareceram durante os dois primeiros meses desde o primeiro umbigo feminino ter sido escondido pelas mãos dos cirurgiões plásticos. A Santa Sé se posicionou explicando aos fiéis que a retirado deste orifício era o mesmo que desconectar-se de Deus.

Contudo, as desumbigadas receberam apoio político dos partidos de esquerda em que as intitularam de: “desumbigadas, mas independentes da mídia consumidora de corpos perfeitos, fruto da ilusão provocada pelo Photoshop”. Não teve outra. A moda pegou e exatamente 20 por cento dos agricultores franceses perderam seus empregos. Os lingeries perderam mercado e mais de 70 mil pessoas ficaram desempregas nos quatro cantos do mundo. Vários motéis lançaram propaganda nos outdoors explicando a importância da mulher “umbigada” perante a sociedade. No entanto, uma candidata à deputado pelo PSOL - um partido de esquerda brasileiro - conseguiu se eleger por ter se submetido a uma OPERAÇÃO DE PREENCHIMENTO DO UMBIGO. Era assim que se chamava este procedimento. A maioria dos eleitores da deputada alegou que uma mulher sem umbigo no parlamento era a prova de aceitação das diferenças pelo congresso nacional. Os filósofos clínicos também se posicionaram a favor da retirada do umbigo, pois a busca da felicidade poderia estar em fazer o que bem quisesse com o corpo. O presidente do Brasil tentou editar uma medida provisória proibindo esta prática dentro do país, mas acabou sendo desaconselhado por seus assessores que preferiram a não intervenção do executivo em temas desta natureza, justamente em época de campanha eleitoral. Seria desvirtuar demais as propostas políticas do governo. As bolsas de valores do mundo despencaram, mas em pouco tempo os acontecimentos foram se normalizando. Uma escola de samba do carnaval carioca de 2007 até homenageou as desumbigadas mostrando a emancipação da mulher do século 21 e que mesmo sem umbigo, continuava sendo mulher e, não perdia esta característica essenciail. A igreja católica acabou se pronunciando a favor, pois percebeu que os evangélicos estavam abrindo as portas para as mulheres sem umbigo. Perder parcela considerável de fiéis era inconcebível em um século onde a disputa por pagadores de dízimo se encontrava cada vez mais acirrada. As empresas de lingerie iam recuperando seus mercados, enquanto os sexshops, as fábricas de vinhos e champanhes bombardeavam canais de televisão com propagandas que incentivavam a procura de outros orifícios que pudessem ser usados como cálices nas horas dos prazeres libidinosos, pois, se o umbigo existia ou não, isso não era problema. A solução era encontrar um lugar onde o vinho pudesse ser degustado.

Natal-RN, 03/03/2006.

Não adianta! Você não é o seu Orkut. A ilusão pode ser maravilhosa, mas não dura para sempre. Você não é tão perfeito assim. É muito bom escrever sobre si e, principalmente, no Orkut onde todo mundo se enaltece. Mas entendo essa vontade de perfeição. Faz parte da mídia consumista de um mundo em destruição dos valores demasiadamente humanos e do enaltecimento do parecer ser, nem que não seja, ou que nunca venha ser. Você não é o seu Orkut. Pare agora e reflita. O photoshop é um aliado na mascarização das tuas rugas, mas olhe profundamente e veja que você não é o seu Orkut, você não é o seu Orkut, você não é o seu Orkut, você não é o seu Orkut, mas o Orkut é a tua parte mais cínica. É o que você gostaria de ser e não consegue, por ser humano. Sem essa que você é sempre amigo de uma lista enorme de seres digitalizados. Você quer números e poder. Você procura por um Big Brother, todas as noites, porque já fostes classificado com um ser carente. A cegueira está tomando conta de tudo e meus óculos não agüentam mais. Plasticidade humana, fake plastic tree, centavos e mais centavos para um grupo de idiotas dentro de uma casa. Um absurdo da cegueira humana. É você que se encontra no paredão. É você o iludido pela digitalização humana das redes de comunicação. Natal-RN, 21/02/2006

Sobre o escritor

Benicio de Sá
Natal, Rio Grande do Norte, Brazil
Mestrando em Direito pela UFRN na área de biocombustíveis.
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