Sexta-feira, Dezembro 01, 2006

Quando realmente descobri que Papai Noel não existia

O natal está chegando e sempre lembro da mesma história. Eu, como quase toda criança, era louco por uma bicicleta e lá em casa havia algum tempo que manifestava esta idéia. Creio que eu tinha uns nove anos. Já havia usado as bicicletas dos meus amigos, caído bastante, rasgado a mão, os joelhos, mas não desistia. Foi então que mamãe me deu uma brilhante idéia. Fazer uma carta para o Papai Noel pedindo uma bicicleta Caloi Cross BMX. Era a moda naquela época e todos os garotos da minha idade sonhavam em ter uma. Se mamãe havia dito para eu fazer uma carta era na certa que ganharia uma bicicleta. Todo ano era a mesma coisa. Parecia que minha mãe conhecia de verdade o Papai Noel. Já bem perto do natal, muito depois de ter feito a minha carta, meu pai me chamou e disse que a gente iria escolher minha bicicleta. Fiquei todo contente, mas um pouco pensativo. Já na loja vi minha futura Caloi Cross BMX . Esta é a que eu quero, papai! Não, você quer essa aqui, disse ele. Mas essa aí? Essa? É! essa mesmo. Mas pai essa é uma Cecizinha!!! É uma bicicleta de menina! Mas olha meu filho, ela é azul, tem um cestinho para você levar seus livros, é linda! Mas pai eu quero uma Caloi Cross. Olha meu filho, o Papai Noel, este ano, só tem dinheiro para comprar essa bicicleta. É que ele está quebrado, o bichinho! Ele me disse para eu comprar essa bicicleta para você que quando for no dia 24 à noite, ela vai deixar do lado da sua cama. Achei aquilo lindo, mesmo que fosse com uma Cecizinha azul e de cestinhas. Os dias se passaram e quando foi do dia 24 pro dia 25 fui dormir depois de ter comido quase todo panetoni da ceia. Lá pelas altas horas da madrugada quando acordei pude ver, por dentro do mosquiteiro da minha cama, que papai Noel havia mesmo me dado uma Cecizinha de presente. Fiquei louco de felicidade. Tinha finalmente ganho a minha primeira bicicleta. Minha irmã também havia ganho uma bicicleta, mas amarela e bem mais masculina que a minha. Acordei meus pais e os dois, posso lembrar como se fosse hoje, ficavam olhando com uma cara de alegre e só dizendo que eu tinha sido um bom menino e que por isso minha Cecizinha havia chegado. Já de manhã quando saí na rua para mostrar o meu presente, todos os meus amigos me chamavam de mulherzinha. Eu que já era faixa amarela de Karate, agora andava com uma bicicleta de menina. Fui para casa e comentei com meus pais. Que besteira Júnior! Eles estão com inveja de você! Não liga não, filho! Nem contei derrota. Tirei a cestinha, o bagageiro, pelei a bicicleta toda. De uma hora para outra, tudo o que eu mais fazia era acabar com meu primeiro meio de transporte. Passei a andar na bicicleta de minha irmã escondido dela, sugeri uma troca, mas nada de negociação. Foi então que descobri que Papai Noel nem sempre atendia todas as crianças como elas desejavam, que embora poderoso, voando com um monte renas pelo mundo a fora, também tinha as mesmas dificuldades econômicas dos pais de todo o Brasil. Que saudade de minha Cecizinha. Aquela miserável!!!!

3 comentários:

joão disse...

Muito Legal Seu texto moço...
parabéns..

Fábio disse...

Rapaz, essa história é muito engraçada, só podia ter vindo de vc mesmo.

Você andava de bicicleta de mulher, cara??? Poxa, seu papai noel era mal, cara.

rsssss

Se eu fosse você, teria pedido um vídeo game Atari ou então autorama, ou até mesmo um tênis M-2000. hehehehehehe é o novo?!

Fábio

Cid Augusto disse...

Grande Benicio, o blog est'a 'otimo. Obrigado pela indicacao e meus parab'ens (pela formatura e pelos textos). Forte Abraco. Cid

Sobre o escritor

Benicio de Sá
Natal, Rio Grande do Norte, Brazil
Mestrando em Direito pela UFRN na área de biocombustíveis.
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